Modas
Sempre detestei. Não as modas em si, mas a mania generalizada de que se tem que andar atrás delas, custe o que custar, doa a quem doer. E dói muitas vezes ao bolso. Outras vezes dói à vista. Gosto particularmente da moda da calcinha de cintura descaída. De um momento para o outro, todas as mulheres que eram magras conseguiram a incrível proeza de parecerem gordas e todo o mundo foi brindado com a maravilhosa revelação dos seus proeminentes pneus laterais. Muitas conseguiram também projectar a níveis recordistas as suas barrigas para fora do corpo.
Com os saltos altos usados diariamente, mesmo nas tarefas rotineiras, muitas foram também capazes de transformar o elegante caminhar feminino num sofrimento trôpego e coxeante, muito semelhante a pagamento de promessa em Fátima.
Outra moda recente são os óculos. Se em tempos, usar óculos era um sacrifício da imagem, hoje usar óculos fornece aos seus utilizadores um inigualável estilo intelectual, numa espécie de sensualidade de génio. Mas não podem ser uns óculos quaisquer. Têm que ser rectangulares e pequenos. Contudo, obtém-se, é claro, um campo de visão mínimo! Em que se vê mais armação do que mundo à nossa volta.
Mas parece não haver dúvidas. A escolha entre a moda e o útil, o prático ou adaptável a nós parece ser a decisão mais fácil do mundo. A moda sempre. Mesmo que o resultado final seja uma elefanta gorda e desajeitada, a andar no arame, e a ir de encontro às coisas.
